Hamas diz que dissolverá seu governo em Gaza quando novo órgão palestino assumir

Acordo de cessar-fogo começou a vigorar em outubro de 2025, mas bombardeios contra palestinos continuam

Hamas diz que dissolverá seu governo em Gaza quando novo órgão palestino assumir
Um acampamento para palestinos deslocados se estende por uma área em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, sábado, 10 de janeiro de 2026 / Imagem: AP Photo/Abdel Kareem Hana
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*Por Samy Magdy e Julia Frankel / Associated Press

O fato principal

O Hamas disse neste domingo (11.jan.2026) que dissolverá seu governo atual em Gaza assim que um comitê de liderança tecnocrática palestina assumir o território, conforme previsto no "plano de paz" mediado pelos Estados Unidos. Ainda não se sabe quando a mudança ocorrerá.

Nem o Hamas nem a Autoridade Palestina (que é o representante palestino reconhecido internacionalmente) anunciaram os nomes dos tecnocratas, que não deveriam ter filiação política. Essas pessoas ainda devem ser aprovadas por Israel e pelos Estados Unidos –e também não está claro se isso irá ocorrer.

O "Conselho de Paz", órgão internacional que o presidente dos EUA, Donald Trump, criou e que ele próprio vai liderar deve supervisionar o governo e outros aspectos do cessar-fogo que entrou em vigor em 10 de outubro, embora os bombardeios israelenses continuem e tenham matado mais de 400 palestinos desde que o termo começou a vigorar.

O acordo inclui o desarmamento do Hamas e o envio de uma força de segurança internacional. Os membros do conselho ainda não foram divulgados.

Mortes após o cessar-fogo continuam subindo em Gaza

O cessar-fogo começou com a suspensão dos combates e a libertação de reféns mantidos em Gaza em troca de milhares de palestinos presos por Israel. O acordo ainda está em sua 1ª fase, com esforços em curso para recuperar os restos mortais do último refém deixado em Gaza.

Um oficial egípcio, que falou sob condição de anonimato para discutir informações de reuniões fechadas, disse que o Hamas enviará uma delegação para conversas com autoridades egípcias, qataris e turcas sobre a transição para a 2ª fase.

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Proposta coloca Trump como líder de um “Conselho da Paz” que supervisionará cumprimento de uma série de regras definidas no plano. Ex-premiê britânico Tony Blair seria uma espécie de “diretor-executivo” de Gaza.

Futuro da governança em Gaza em aberto

Em comentários publicados em seu canal no Telegram neste domingo (11), Hazem Kassem, porta-voz do Hamas, pediu a aceleração da formação do comitê tecnocrático.

O oficial egípcio disse que o Hamas se reunirá com outras facções palestinas nesta semana para finalizar a composição do comitê. A delegação do Hamas será liderada pelo principal negociador Khalil al-Hayya, informou o oficial.

Trump afirmou que o "Conselho de Paz" monitorará o comitê e cuidará do desarmamento do Hamas, do envio de uma força de segurança internacional, de retiradas adicionais de tropas israelenses e da reconstrução de Gaza.

Os EUA relataram pouco progresso em qualquer uma dessas frentes, embora os membros do conselho devam ser anunciados nesta semana.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse na quinta-feira (8) que o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov foi escolhido como diretor-geral do conselho.

Ex-ministro da Defesa e de Relações Exteriores da Bulgária, Mladenov atuou como enviado da ONU (Organização das Nações Unidas) ao Iraque antes de ser nomeado como enviado da ONU para a paz no Oriente Médio de 2015 a 2020.

Naquela época, Mladenov tinha boas relações de trabalho com Israel e frequentemente atuava para reduzir tensões entre Israel e Hamas.

Também no domingo (11), o chanceler israelense Gideon Saar se reuniu em Jerusalém com o chanceler japonês Toshimitsu Motegi. Saar afirmou que Israel está comprometido em implementar o plano de Trump, enquanto Motegi expressou a disposição do Japão de desempenhar um papel ativo no cessar-fogo.

O Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, à esquerda, encontra-se com o Ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, em Jerusalém, domingo, 11 de janeiro de 2026 / Imagem: AP Photo/Ohad Zwigenberg

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Japão, Motegi visitou o Centro de Coordenação Civil-Militar, onde o cessar-fogo é monitorado. Ele também se reuniria com Netanyahu e autoridades palestinas na Cisjordânia ocupada por Israel.

Violência em Gaza continua

Em Gaza, 2 homens foram mortos a tiros no domingo (11) na cidade sulista de Bani Suhaila, segundo o Hospital Nasser, que recebeu os corpos.

Mais cedo no domingo (11), um homem foi morto por disparos israelenses no bairro Tuffah, na Cidade de Gaza, conforme o Hospital Al-Ahly, que recebeu o corpo.

Em resposta a perguntas sobre o incidente em Tuffah, o exército israelense disse que atirou e atingiu um "terrorista" no norte de Gaza que se aproximou de tropas.

Em comunicado posterior, o exército afirmou ter matado um "terrorista" no sul de Gaza que se aproximou de soldados.

Israel e Hamas acusam um ao outro de violar o cessar-fogo. Ataques israelenses contínuos em Gaza mataram mais de 400 palestinos desde o início do cessar-fogo, segundo autoridades de saúde locais.

O exército israelense afirma que qualquer ação desde o início do cessar-fogo tem sido em resposta a violações do acordo.


*Frankel reportou de Jerusalém. A jornalista da Associated Press Melanie Lidman, em Tel Aviv, Israel, contribuiu para esta reportagem.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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