Haddad anuncia candidatura ao governo de São Paulo

Agora ex-ministro, Haddad disse em diversas ocasiões que não tinha interesse em concorrer nesta eleição

Haddad anuncia candidatura ao governo de São Paulo
Aliados de longa data: em Juiz de Fora, Lula e Fernando Haddad, no dia 17 de setembro de 2010, participam da cerimônia de inauguração do campus do Instituto de Ciências Exatas da UFJF / Imagem: Ricardo Stuckert/PR
Índice

Fatos que definiram a semana

Eis abaixo uma lista de fatos, com contexto e análise:

O destaque

Agora ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad anunciou sua pré-candidatura ao governo do estado de São Paulo na última sexta-feira (20.mar.2026), num evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mas o que isso significa? E por que isso importa?

Enviamos esta informação na própria sexta-feira (20) ao grupo de WhatsApp do Pulpo Eleitoral, nosso projeto para promover conhecimento sobre eleições no mundo e geopolítica.

Em resposta, alguns leitores comentaram:

"Lula talvez tenha jogado o futuro do PT fora. Se ele faz chapa 'puro sangue' com Haddad e ganham, Haddad seria candidato natural futuramente."
"Lula não é tolo... ou ainda não está. Obrigar Haddad a enfrentar Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] não me cheira bem... vai perder."
"Lula é como um enorme e velho jatobá que de tão grande e frondoso produz tanta sombra que nenhuma muda de jatobá consegue se desenvolver por perto. A renovação só vai acontecer depois que a árvore tombar na floresta e abrir uma clareira, permitindo que o sol ilumine as mudas novas."

Nossa visão sobre este destaque

Haddad falou várias vezes que não queria ser candidato ao governo de São Paulo (veja exemplos aqui e aqui). Esta candidatura era vontade de Lula, e Haddad lembrava que, em anos anteriores, topou desafios e sacrifícios eleitorais.

Em bom português, funciona assim: o Haddad deixou bem claro em várias entrevistas que está farto de disputar essas eleições e que a sua intenção agora era discutir o país com mais profundidade.

Ele deu a entender que só concorreu em determinadas eleições porque foi assim persuadido por integrantes do PT, pelo bem do partido e da esquerda de maneira geral.

Parece ter sido, portanto, mais uma vez persuadido.

Eis os fatos:

  • As pesquisas eleitorais indicam crescimento expressivo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto, já empatando com Lula.
  • São Paulo é o maior colégio eleitoral do país. Eram 34.403.609 eleitoras e eleitores aptos a votar em 2024, o que corresponde a 22% do eleitorado do Brasil.
  • O estado é governado por um opositor do governo, o governador Tarcísio de Freitas, que tende a ser reeleito, segundo as principais pesquisas.

Para tentar ser reeleito, Lula precisa de alguém forte para debater em São Paulo com Tarcísio. O PT e Haddad dizem que querem ganhar a eleição por lá, mas antes de pensar em ganhar, precisam desidratar a narrativa política de Tarcísio e de seus aliados.

Ao escalar Haddad para disputar em São Paulo, Lula tem um aliado de longa data, com experiência vasta em eleições anteriores e até em gestão do Executivo municipal, já que o ex-ministro governou a cidade de São Paulo.

💡
Haddad é um dos quadros mais qualificados do PT e assume a candidatura em São Paulo com a missão de enfraquecer a narrativa da oposição no estado com mais eleitores registrados do país. Precisa dar sustentação à candidatura de Lula em âmbito nacional e, assim, contribuir para evitar que a direita volte ao poder. Mais um sacrifício para o ex-ministro, que tinha outros planos para sua vida pública e recém-lançou outro livro.

Países falam em ajudar a liberar Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que países ajudassem a liberar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo produzido no mundo.

Inicialmente, ele não recebeu respostas.

Na verdade, a China ignorou o pedido. E Trump, que tinha uma viagem agendada ao país asiático, precisou pedir para adiar os planos por causa da guerra no Oriente Médio.

China ignora o pedido de Trump para ajudar a reabrir Ormuz
Analistas acreditam que a China vê com bons olhos o adiamento da viagem de Trump a Pequim

Já aliados europeus disseram que esta guerra não é deles –argumentam que Trump nem sequer avisou sobre o ataque e que foram pegos de surpresa.

Portanto, por que eles deveriam, agora, ser jogados para o meio da guerra e enviar tropas para garantir a liberação de algo que eles não atuaram para obstruir?

Este vinha sendo o argumento central, mas houve uma reunião na última sexta-feira (20.mar). E, ao final dela, países emitiram uma nota pela qual diziam que trabalhariam pela liberação do Estreito.

Mas o que isso quer dizer, na prática?

Pois é, não ficou claro. Isso porque a nota não falava praticamente nada: não detalhava como seria essa atuação (seria militar? seria pela diplomacia?); não dava prazos; e não acrescentava quaisquer outros detalhes que pudessem dar um norte sobre a situação.

Assinado por Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Japão e Países Baixos, o comunicado declarava que as respectivas nações estavam dispostas a "garantir a segurança no Estreito de Ormuz".

Parte da grande imprensa nacional noticiou este fato como uma "reviravolta", já que as nações historicamente aliadas dos EUA tinham dito que não atuariam no caso (e Trump chamou-as de "covardes").

Países da Europa e Japão falam em ajudar no Estreito de Ormuz | G1
Em comunicado conjunto, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão se dizem prontos para se juntar a “esforços” para liberar o canal marítimo.

Guerra impacta agricultores nos EUA

Normalmente, fala-se dos impactos da guerra sobre o preço do petróleo. Mas o conflito é mais abrangente.

Agricultores nos Estados Unidos estão sendo impactados pela alta dos fertilizantes, que dependem do Oriente Médio –tanto para produção (por meio de insumos essenciais) quanto para importação (do produto final).

Como resultado, diversas indústrias são afetadas. O consumidor, idem –já que os preços são repassados.

Petróleo, gás natural e até fertilizantes: guerra no Oriente Médio faz preços dispararem no mundo todo
Reunimos notícias relacionadas à alta de preços nos EUA, na África, em países da Ásia e na União Europeia

Por fim, a guerra tem potencial até de causar prejuízo eleitoral ao presidente dos EUA, Donald Trump, que até agora não foi claro sobre como sair do conflito.

Há eleições nos EUA de meio de mandato –as midterms–, ocasião em que a popularidade do presidente é testada e novos parlamentares são escolhidos. Este evento, por sua vez, ajuda a entender como será a continuação do mandato de Trump (se terá ou não apoio do Congresso).

Inicialmente, Trump disse que a ação militar no Irã deveria ocorrer por "3 a 4 semanas". Mas entramos na 4ª semana de guerra, o conflito escalou por toda a região –inclusive como parte da estratégia de defesa do Irã, envolvendo países aliados dos EUA para aumentar a pressão global por uma saída negociada–, e não há sinais de uma resolução no curto prazo.

Caos no Golfo Pérsico é parte da estratégia do Irã
País aposta em prolongar conflito e exercer pressão sobre aliados dos EUA na região para ter saída negociada

Em Israel, a guerra também tem repercussões eleitorais. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu precisa convocar novas eleições até outubro, e o conflito tem um papel importante na decisão de quando o pleito será marcado.

Evidentemente, Netanyahu (mais longevo governante da história de Israel) pretende marcar a eleição para uma data em que considere ter mais chances de se manter no poder. E a guerra tem papel decisivo.

Netanyahu se prepara para as eleições em Israel, ainda sem data definida
Netanyahu terá que lidar com desdobramentos do avanço da guerra no Oriente Médio para decidir a data da eleição

Repórter russo no Líbano escapa de míssil israelense

Enquanto isso, em meio à escalada dos bombardeios, um repórter russo que estava no Líbano escapou de um míssil de Israel. A cena foi gravada em vídeo, já que o jornalista falava ao vivo no momento do ataque.

O que observar nesta semana

  • Como será a atuação das nações que disseram que ajudariam a "garantir a segurança no Estreito de Ormuz"? Vão apoiar militarmente? Ou vão ampliar esforços no campo diplomático? E o que será do Estreito? Terá maior fluxo de embarcações petroleiras ou seguirá com navegação extremamente restrita, ampliando a alta do preço do petróleo no mundo? Estas são perguntas para ter no radar e monitorar os desdobramentos comerciais da guerra no Oriente Médio.
  • O banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido de prisão. Mais um indicativo da possibilidade de fechar acordo de delação premiada, algo que mencionamos em edição anterior. Vorcaro também já trocou os profissionais que cuidam da sua defesa, o que também fortalece a expectativa de que uma delação ocorra. É relevante manter essa possibilidade no radar, já que foi comprovada a extensa rede de influência do empresário em Brasília, com conexões íntimas junto a políticos expressivos e até ministros da Suprema Corte.
  • Com a retirada do presidente venezuelano Nicolás Maduro do poder, Cuba passou a enfrentar um cenário devastador: não há mais energia no país. Isso mesmo: a principal fonte de energia de Cuba vinha de termelétricas, que por sua vez dependiam do petróleo da Venezuela. Sem esse petróleo e com pressão crescente dos Estados Unidos para que países não façam negócios com Cuba, sob ameaça de serem taxados, a ilha está tendo sucessivos apagões. Imagine um cenário em que todo o país fica no escuro, deixando 10 milhões de pessoas sem geladeira, sem internet... É isso o que está acontecendo.

Recomendações curadas

Capitalismo superindustrial - Fernando Haddad - Grupo Companhia das Letras
39 anos de respeito à inteligência do leitor. Conheça o nosso catálogo e autores.

O ministro Fernando Haddad lançou um novo livro, sobre o qual falamos brevemente no destaque desta edição. Vale a leitura para se aprofundar no que vem pensando o ex-ministro da Fazenda e, agora, candidato ao governo de São Paulo.

Cuba à beira de um colapso? País tem apagões, lixo nas ruas e incerteza - BBC News Brasil
Cuba vive uma crise econômica e energética nos últimos anos agravada pelo recrudescimento das sanções econômicas impostas pelo governo do presidente Donald Trump.

Em vídeo de 7min, a BBC explica a situação de Cuba, tema sobre o qual vamos nos aprofundar em reportagens ao longo da semana. Por ora, deixamos esta dica para que você saiba mais sobre o assunto.

O PDF acima mostra um cenário de escassez hídrica em países do Mediterrâneo, ampliando a compreensão sobre a falta desse recurso vital para a vida. O CMCC é o Centro Euro-Mediterraneo sui Cambiamenti Climatici, baseado na Itália.

Comentário final

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Isso é fundamental para que possamos fazer ajustes (ou manter tudo como está), tornando sua experiência no Correio Sabiá ainda melhor.

Por ora, é só. Até semana que vem!

Autor

Maurício de Azevedo Ferro
Maurício de Azevedo Ferro

Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.

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