Estados Unidos e Venezuela dão primeiros passos para restabelecer relações após queda de Maduro
Venezuela emitiu nota na qual informou que decidiu 'iniciar um processo exploratório de natureza diplomática'
*Por Regina Garcia Cano e Matthes Lee / Associated Press
Os Estados Unidos e a Venezuela anunciaram nesta sexta-feira (9.jan.2026) que estão explorando a possibilidade de restabelecer relações diplomáticas, enquanto uma delegação do governo Trump visita o país sul-americano.
A visita marca um passo importante no arrefecimento das tensões nas relações entre governos historicamente adversários. Forças militares dos EUA capturaram o presidente Nicolás Maduro na madrugada do último sábado (3.jan), em Caracas, e o levaram a Nova York para enfrentar acusações federais de narcotráfico.
A pequena equipe de diplomatas norte-americanos e agentes de segurança viajou à Venezuela para fazer uma avaliação preliminar sobre a possível reabertura da embaixada dos EUA em Caracas, informou o Departamento de Estado em comunicado.
O governo venezuelano afirmou nesta sexta-feira que pretende enviar uma delegação aos Estados Unidos, mas não informou quando. Qualquer delegação que viaje aos EUA provavelmente precisará de uma suspensão de sanções por parte do Departamento do Tesouro.

Em nota, o governo da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, disse ter “decidido iniciar um processo exploratório de natureza diplomática com o governo dos Estados Unidos da América, com o objetivo de restabelecer as missões diplomáticas em ambos os países”.
O presidente Donald Trump vem pressionando Rodríguez e outros ex-aliados de Maduro que agora estão no poder a avançar em sua visão para o futuro do país, cuja principal face seria a retomada do protagonismo de empresas petrolíferas norte-americanas na Venezuela, nação que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Estados Unidos e Venezuela romperam relações em 2019, depois que o 1º governo Trump reconheceu o líder oposicionista Juan Guaidó como legítimo presidente do país, elevando as tensões. Apesar dessa posição, Maduro manteve firme controle sobre o poder.
O governo Trump fechou a embaixada em Caracas e transferiu seus diplomatas para Bogotá, na Colômbia. Desde então, autoridades norte-americanas viajaram poucas vezes à capital venezuelana.
A visita mais recente ocorreu em fevereiro de 2025, quando o enviado especial de Trump, Richard Grenell, se reuniu com Maduro, encontro que resultou na libertação de 6 norte-americanos presos pelo governo venezuelano.
*A repórter da Associated Press Megan Janetsky contribuiu para esta reportagem a partir da Cidade do México. Lee reportou de Washington.
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