Em Gaza, ventos fortes derrubam ruínas em cima de tendas; 4 morrem
'Nem as ovelhas vivem como nós', disse um morador de Gaza. 'Deixamos para trás casas e prédios com portas que se abriam e fechavam'.
*Por Wafaa Shurafa e Samy Magdy / Associated Press
O fato principal
Uma adolescente de 15 anos, duas mulheres e um homem idoso de 72 anos morreram durante esta noite em Gaza, depois que paredes desabaram sobre suas tendas, devido a fortes chuvas e ventos que atingiram o território costeiro, informaram nesta terça-feira (13.jan.2026) autoridades hospitalares do hospital Shifa, o maior da Cidade de Gaza, que recebeu as vítimas.
Condições precárias de moradia têm atormentado o território palestino após mais de 2 anos de bombardeios israelenses devastadores e de escassez de ajuda humanitária.

Um cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro. No entanto, os ataques e as mortes continuam. Além disso, grupos de ajuda afirmam que os gazenses em geral não dispõem de condições mínimas de estrutura digna, como abrigo para enfrentar as frequentes tempestades de inverno.
Uma das mulheres morreu quando uma parede caiu sobre sua tenda na parte oeste da cidade, informou o hospital. A outra mulher, a menina e o homem pertenciam à mesma família. Eles foram mortos quando uma parede desabou sobre sua tenda numa área costeira, ao longo da margem mediterrânea da Cidade de Gaza. Pelo menos outras 5 pessoas ficaram feridas neste mesmo desabamento.
Na cidade central de Zawaida, imagens da AP (Associated Press) mostraram tendas inundadas na manhã de terça-feira (13), com pessoas tentando reconstruir seus abrigos.


Depoimentos de palestinos
Yasmin Shalha, mulher deslocada da cidade norteña de Beit Lahiya, enfrentava ventos que faziam as lonas das tendas baterem ao seu redor enquanto costurava a dela de volta com agulha e linha. Ela disse que a estrutura havia caído sobre sua família na noite anterior, enquanto dormiam.
"Os ventos estavam muito, muito fortes. A tenda desabou sobre nós. Como vocês podem ver, nossa situação é desesperadora", contou a mãe de 5 filhos à AP enquanto costurava um lençol rasgado pelos ventos.
Mohamed al-Sawalha, homem de 72 anos do campo de refugiados de Jabaliya, no norte, criticou as condições que a maioria dos gazenses suporta.
"[A tenda] não funciona nem no verão nem no inverno. Deixamos para trás casas e prédios com portas que se abriam e fechavam. Agora vivemos numa tenda. Nem as ovelhas vivem como nós", disse ele.

Bombardeios de Israel reduziram Gaza a escombros
A maioria dos palestinos vive em tendas improvisadas desde que suas casas foram reduzidas a escombros durante a guerra. Quando tempestades atingem o território, trabalhadores de resgate palestinos alertam as pessoas para evitar buscar abrigo em prédios danificados, pois podem desabar sobre elas.
Grupos de ajuda afirmam que materiais de abrigo suficientes não entram em Gaza durante a trégua.
A campanha de bombardeios de Israel reduziu bairros inteiros a escombros e estruturas semidestruídas. Os moradores não conseguem voltar às suas casas em áreas de Gaza controladas por Israel.
A população do território palestino –um dos mais populosos do mundo com mais de 2 milhões de pessoas num pequeno pedaço de terra– luta para se proteger do frio, incluindo chuvas e tempestades severas, em meio à escassez de ajuda humanitária e à proibição israelense de caravanas, que são fundamentais durante os meses de inverno.
Este é o 3º inverno desde que a guerra entre Israel e Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas invadiram o sul de Israel, mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram 251 para Gaza.
Bebês morrem de hipotermia
Até segunda-feira (12), ao menos 6 crianças –algumas delas eram bebês com apenas 7 dias– morreram de hipotermia desde o início do inverno, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas.
O Ministério informou que 442 pessoas foram mortas por disparos israelenses e tiveram seus corpos levados a hospitais desde que o cessar-fogo entrou em vigor há pouco mais de 3 meses.
Os dados do Ministério, que mantém registros detalhados de vítimas, são considerados confiáveis por agências da ONU (Organização das Nações Unidas) e especialistas independentes.
*Samy Magdy reportou do Cairo.
Autor
Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.