Dinamarca e Groenlândia buscam diálogo com Rubio sobre interesse dos EUA em tomar a ilha
Primeira-ministra da Dinamarca alertou que uma invasão da Groenlândia pelos EUA representaria o fim da OTAN
*Por Stefanie Dazio / Associated Press
O essencial
A Dinamarca e a Groenlândia buscam reunião com o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio após a administração Trump dobrar aposta em sua intenção de tomar a estratégica ilha ártica, território dinamarquês.
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As tensões escalaram após a Casa Branca dizer nesta terça-feira (6.jan.2026) que "o exército dos EUA sempre é uma opção". O presidente Donald Trump argumenta que os EUA precisam controlar a maior ilha do mundo para garantir sua própria segurança diante de crescentes ameaças da China e Rússia no Ártico.

Invasão dos EUA à Groenlândia seria o fim da OTAN, diz primeira-ministra da Dinamarca
A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen alertou no início desta semana que tomada pelos EUA equivaleria ao fim da aliança militar OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
"Os nórdicos não fazem declarações assim levianamente; é Trump, cuja linguagem muito bombástica beirando ameaças diretas e intimidação, ameaçando de fato outro aliado ao dizer 'vou controlar ou anexar o território'", disse Maria Martisiute, analista de defesa no think tank European Policy Centre, à Associated Press na quarta-feira (7.jan.2026).
Os líderes da França, da Alemanha, da Itália, da Polônia, da Espanha e do Reino Unido mostraram apoio a Frederiksen em declaração conjunta na terça-feira (6), reafirmando que a ilha rica em minerais "pertence a seu povo". A declaração defendeu a soberania da Groenlândia, que é território autônomo da Dinamarca e, portanto, parte da OTAN.
Ação militar dos EUA na Venezuela neste fim de semana aumentou temores pela Europa, e Trump e seus conselheiros nos últimos dias reiteraram o desejo do líder norte-americano de tomar a ilha, que guarda o Ártico e as abordagens do Atlântico Norte à América do Norte.
"É tão estratégica agora", Trump disse a repórteres no domingo (4).
Pedido de reunião com Marco Rubio, que descarta uso da força para tomar a Groenlândia
O ministro das Relações Exteriores dinamarquês Lars Løkke Rasmussen e sua contraparte groenlandesa Vivian Motzfeldt pediram reunião com Rubio, segundo comunicado postado terça-feira (6) no site do governo da Groenlândia.
Pedidos anteriores por reunião à mesa não tiveram sucesso, disse o comunicado.
O ministro francês das Relações Exteriores Jean-Noël Barrot disse que falou por telefone terça-feira (6) com Rubio, que descartou a ideia de uma operação na Groenlândia nos mesmos moldes daquela realizada na Venezuela.
"Nos Estados Unidos, há apoio maciço ao país pertencer à OTAN –uma filiação que, de um dia para o outro, seria comprometida por qualquer forma de agressividade contra outro membro da OTAN", Barrot disse à rádio France Inter nesta quarta-feira (7).
Perguntado se tem plano caso Trump reivindique a Groenlândia, Barrot disse que não se envolverá em "diplomacia de ficção".
Grupo bipartidário do Senado norte-americano critica retória de Trump
Enquanto a maioria dos republicanos norte-americanos apoia a declaração de Trump, as senadoras Jeanne Shaheen e Thom Tillis, copresidente democrata e republicano do grupo bipartidário que observa a OTAN no Senado dos EUA, criticaram a retórica de Trump em comunicado terça-feira (6).
"Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a Groenlândia não está à venda, os Estados Unidos devem honrar suas obrigações de tratado e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca", disse o comunicado.
"Qualquer sugestão de que nossa nação submeteria um aliado da OTAN a coerção ou pressão externa mina os próprios princípios de autodeterminação que nossa Aliança existe para defender", informou o texto.
*Os jornalistas da Associated Press Geir Moulson em Berlim e Mark Carlson em Bruxelas contribuíram para esta reportagem.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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