Dinamarca e Groenlândia buscam diálogo com Rubio sobre interesse dos EUA em tomar a ilha

Primeira-ministra da Dinamarca alertou que uma invasão da Groenlândia pelos EUA representaria o fim da OTAN

Dinamarca e Groenlândia buscam diálogo com Rubio sobre interesse dos EUA em tomar a ilha
Primeira-ministra da Dinamarca Mette Frederiksen, à direita, e primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, à esquerda, falam em 27 de abril de 2025, em Marienborg, Dinamarca / Imagem: Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix via AP, Arquivo
Índice

*Por Stefanie Dazio / Associated Press

O essencial

A Dinamarca e a Groenlândia buscam reunião com o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio após a administração Trump dobrar aposta em sua intenção de tomar a estratégica ilha ártica, território dinamarquês.​

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As tensões escalaram após a Casa Branca dizer nesta terça-feira (6.jan.2026) que "o exército dos EUA sempre é uma opção". O presidente Donald Trump argumenta que os EUA precisam controlar a maior ilha do mundo para garantir sua própria segurança diante de crescentes ameaças da China e Rússia no Ártico.​

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A Groenlândia é um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. Tem um sistema político próprio, mas está subordinada em última instância aos dinamarqueses. Com o degelo provocado pelas mudanças climáticas, rotas marítimas vem sendo ampliadas no Atlântico Norte. O mesmo vale para a exploração de minerais raros. Os EUA falam que a ocupação e a proteção da ilha são uma questão de segurança interna, contra a presença da China e da Rússia. Os norte-americanos, no entanto, já podem ocupar a Groenlândia militarmente por acordos via OTAN.
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Invasão dos EUA à Groenlândia seria o fim da OTAN, diz primeira-ministra da Dinamarca

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen alertou no início desta semana que tomada pelos EUA equivaleria ao fim da aliança militar OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).​

"Os nórdicos não fazem declarações assim levianamente; é Trump, cuja linguagem muito bombástica beirando ameaças diretas e intimidação, ameaçando de fato outro aliado ao dizer 'vou controlar ou anexar o território'", disse Maria Martisiute, analista de defesa no think tank European Policy Centre, à Associated Press na quarta-feira (7.jan.2026).

Os líderes da França, da Alemanha, da Itália, da Polônia, da Espanha e do Reino Unido mostraram apoio a Frederiksen em declaração conjunta na terça-feira (6), reafirmando que a ilha rica em minerais "pertence a seu povo".​ A declaração defendeu a soberania da Groenlândia, que é território autônomo da Dinamarca e, portanto, parte da OTAN.​

Ação militar dos EUA na Venezuela neste fim de semana aumentou temores pela Europa, e Trump e seus conselheiros nos últimos dias reiteraram o desejo do líder norte-americano de tomar a ilha, que guarda o Ártico e as abordagens do Atlântico Norte à América do Norte.​

"É tão estratégica agora", Trump disse a repórteres no domingo (4).​

Pedido de reunião com Marco Rubio, que descarta uso da força para tomar a Groenlândia

O ministro das Relações Exteriores dinamarquês Lars Løkke Rasmussen e sua contraparte groenlandesa Vivian Motzfeldt pediram reunião com Rubio, segundo comunicado postado terça-feira (6) no site do governo da Groenlândia.​

Pedidos anteriores por reunião à mesa não tiveram sucesso, disse o comunicado.​

O ministro francês das Relações Exteriores Jean-Noël Barrot disse que falou por telefone terça-feira (6) com Rubio, que descartou a ideia de uma operação na Groenlândia nos mesmos moldes daquela realizada na Venezuela.​

"Nos Estados Unidos, há apoio maciço ao país pertencer à OTAN –uma filiação que, de um dia para o outro, seria comprometida por qualquer forma de agressividade contra outro membro da OTAN", Barrot disse à rádio France Inter nesta quarta-feira (7).​

Perguntado se tem plano caso Trump reivindique a Groenlândia, Barrot disse que não se envolverá em "diplomacia de ficção".​

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O posicionamento de Marco Rubio, que nega uma intervenção militar na Groenlândia, expõe um artifício retórico de Trump, cujas declarações mantêm em aberto a possibilidade de tomar o território dinamarquês à força.

Grupo bipartidário do Senado norte-americano critica retória de Trump

Enquanto a maioria dos republicanos norte-americanos apoia a declaração de Trump, as senadoras Jeanne Shaheen e Thom Tillis, copresidente democrata e republicano do grupo bipartidário que observa a OTAN no Senado dos EUA, criticaram a retórica de Trump em comunicado terça-feira (6).​

"Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a Groenlândia não está à venda, os Estados Unidos devem honrar suas obrigações de tratado e respeitar a soberania e a integridade territorial do Reino da Dinamarca", disse o comunicado.
"Qualquer sugestão de que nossa nação submeteria um aliado da OTAN a coerção ou pressão externa mina os próprios princípios de autodeterminação que nossa Aliança existe para defender", informou o texto.​

*Os jornalistas da Associated Press Geir Moulson em Berlim e Mark Carlson em Bruxelas contribuíram para esta reportagem.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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