Bolsonaro é denunciado pela PGR; baixe o arquivo

Ex-presidente tinha discurso pós-golpe pronto, segundo a PGR (anexamos a imagem). Ao todo, 34 pessoas (incluindo Bolsonaro) foram denunciadas. Saiba quem é quem.

Bolsonaro é denunciado pela PGR; baixe o arquivo
Bolsonaro foi denunciado por supostamente liderar uma articulação golpista / Imagem: Marcos Corrêa/PR
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A PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou nesta terça-feira (18.fev.2025) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por supostamente tramarem um golpe de Estado em 2022.

A PGR diz em sua denúncia que Bolsonaro construiu gradativamente uma narrativa golpista, por meio de afirmações e repetições falsas sobre as urnas eletrônicas e o processo eleitoral, "a fim de deslegitimar possível resultado eleitoral que lhe fosse desfavorável e propiciar condições indutoras da deposição do governo eleito".

Download: Baixe a denúncia da PGR contra Bolsonaro:

Ainda de acordo com a PGR, Bolsonaro e aliados consumariam o golpe ao decretar estado de sítio e uma operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Ambos os textos estavam prontos.

  • Estado de sítio: medida emergencial para casos extremos (exemplo: uma guerra), que pode ser decretada pelo presidente e que suspende temporariamente algumas liberdades e garantias legais;
  • GLO: operação militar que pode ser usada para restaurar a ordem pública e a segurança do país, decretada pelo presidente da República (exemplo: já foi decretada GLO para garantir a ação do Exército na Segurança Pública do Rio de Janeiro).

Os investigadores ainda encontraram um discurso pós-golpe na sala de Bolsonaro. O mesmo texto foi achado no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens (uma espécie de "faz-tudo") do então presidente.

Bolsonaro é denunciado pela PGR; baixe o arquivo
Ex-presidente tinha discurso pós-golpe pronto, segundo a PGR (anexamos a imagem). Ao todo, 34 pessoas (incluindo Bolsonaro) foram denunciadas. Saiba quem é quem.

Quem foi denunciado junto com Bolsonaro?

Abaixo, saiba quem foi denunciado pela PGR junto com Bolsonaro. Entre parênteses, descrevemos cada um.

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros (ex-capitão do Exército; disse em áudio obtido pela Polícia Federal que sabia quem mandou matar a ex-vereadora Marielle Franco, do PSOL do Rio de Janeiro);
  • Alexandre Rodrigues Ramagem (atual deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, ex-diretor da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência e candidato à Prefeitura do Rio em 2024);
  • Almir Garnier Santos (ex-comandante da Marinha);
  • Anderson Gustavo Torres (ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal);
  • Angelo Martins Denicoli (major da reserva do Exército demitido de empresa pública de TI em São Paulo, na gestão do atual governador Tarcísio de Freitas);
  • Augusto Heleno Ribeiro Pereira (general do Exército e ex-ministro do GSI, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República);
  • Bernardo Romão Correa Netto (coronel do Exército);
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha (engenheiro que se diz "inventor" da urna eletrônica);
  • Cleverson Ney Magalhães (tenente-coronel do Exército, graduado pela AMAN, Academia Militar das Agulhas Negras, em 1993);
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general do Exército, foi comandante da 10ª Região Militar);
  • Fabrício Moreira de Bastos (coronel do Exército, foi adido militar na Embaixada do Brasil em Israel);
  • Filipe Garcia Martins Pereira (ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República);
  • Fernando de Sousa Oliveira (ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal);
  • Giancarlo Gomes Rodrigues (ex-assessor de Alexandre Ramagem, que teria participado na formação de uma "Abin paralela");
  • Guilherme Marques de Almeida (tenente-coronel do Exército, que desmaiou quando foi alvo de operação da Polícia Federal e comandou o 1° Batalhão de Operações Psicológicas em Goiânia);
  • Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel do Exército e ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais em Manaus);
  • Jair Messias Bolsonaro (ex-presidente da República e candidato derrotado na eleição de 2022);
  • Marcelo Araújo Bormevet (policial federal acusado de espionagem e de promover desinformação para atingir a imagem dos ministros do STF, o Supremo Tribunal Federal);
  • Marcelo Costa Câmara (o "Coronel Câmara", ex-assessor de Bolsonaro);
  • Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel do Exército, graduado em 1996 pela Aman, a Academia Militar das Agulhas Negras);
  • Mario Fernandes (general do Exército e ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência, que tem status de ministério; mandados de busca e apreensão contra ele sustentaram parte da denúncia ora apresentada pela PGR);
  • Marília Ferreira de Alencar (ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança);
  • Mauro Cesar Barbosa Cid (tenente-coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência, uma espécie de "faz-tudo" do presidente da República);
  • Nilton Diniz Rodrigues (general do Exército e comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva em São Gabriel da Cachoeira);
  • Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho (apresentador de TV, empresário e neto do general João Baptista Figueiredo, ex-presidente da ditadura);
  • Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (general do Exército e ex-ministro da Defesa);
  • Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel do Exército e suposto interlocutor de Mauro Cid nas articulações por um golpe de Estado);
  • Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército e ex-chefe de gabinete do general da reserva Mario Fernandes na Secretaria-Geral da Presidência da República);
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel do Exército, integrante das forças especiais do Exército, chamado de "kid-preto");
  • Ronald Ferreira de Araujo Junior (tenente-coronel do Exército);
  • Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel do Exército);
  • Silvinei Vasques (ex-diretor-geral da PRF, a Polícia Rodoviária Federal, e secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, em Santa Catarina, desde 7 de janeiro de 2025);
  • Walter Souza Braga Netto (ex-interventor federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro sob a Presidência de Michel Temer, ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, ex-ministro da Casa Civil, também sob Bolsonaro, e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro na eleição de 2022);
  • Wladimir Matos Soares (agente da Polícia Federal que teria se infiltrado na segurança de Lula para passar informações do então presidente eleito a supostos golpistas; foi preso por supostamente atuar num plano para assassinar o atual presidente da República; relatava ações e estratégias em curso e passou informações sensíveis, conforme áudios obtidos pela Polícia Federal).

Author

Maurício de Azevedo Ferro
Maurício de Azevedo Ferro

Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.

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