Bilionários ficaram 16% mais ricos só em 2025, diz relatório
Valor acumulado em apenas 1 ano seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes
O destaque
A riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% apenas em 2025. É o que aponta o novo relatório da Oxfam, organização de defesa dos direitos humanos de renome mundial. O documento foi lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, realizado de 19 a 23 de janeiro de 2026.
Intitulado "Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários", o relatório mostra que o patrimônio coletivo desse grupo aumentou cerca de US$ 2,5 trilhões em apenas 1 ano. O crescimento desse patrimônio foi 3 vezes mais rápido do que a média dos últimos 5 anos.

Contexto
O relatório diz que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (ele próprio um bilionário), liderou uma “agenda pró-bilionários” por meio de ações como:
- Corte de impostos para os mais ricos;
- Incentivo ao crescimento de ações relacionadas à inteligência artificial que ajudam investidores ricos a ficarem ainda mais ricos; e
- Obstrução de esforços para tributar grandes empresas.
Fórum Econômico Mundial de Davos
O Fórum de Davos, evento anual que reúne milhares de autoridades empresariais e políticas, ocorreu num momento de instabilidade causada, entre seus principais fatores, pelas declarações de Trump contra nações historicamente aliadas dos Estados Unidos.
O presidente norte-americano declarou no Fórum que não vai usar força militar para tomar a Groenlândia, território semiautônomo que pertence à Dinamarca. Mas manteve o tom de ameaça.

Por meio de tarifas contra diferentes países, Trump também tem provocado instabilidade nos mercados globais. Ele exerce pressão contra a União Europeia, além de outras nações, como aquelas que integram o Brics (grupo cuja sigla faz menção a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Acordo histórico entre União Europeia e Índia

Em resposta a essa pressão, a União Europeia e a Índia anunciaram nesta terça-feira (27.jan) um acordo histórico com potencial de impactar a vida de 2 bilhões de pessoas. As duas partes fecharam um acordo de livre comércio.

"A Europa e a Índia estão fazendo história hoje. Concluímos a mãe de todos os acordos. Criamos uma zona de livre comércio para 2 bilhões de pessoas, com benefícios para ambos os lados. Este é apenas o começo. Fortaleceremos ainda mais nossa relação estratégica", escreveu Ursula von der Leyen na sua conta no X (antigo Twitter).
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, destacou num discurso virtual numa conferência de energia que este acordo representa 1/4 do PIB (Produto Interno Bruto) global.
"Este acordo trará grandes oportunidades para os povos da Índia e da Europa. Representa 25% do PIB global e 1/3 do comércio mundial", disse Modi.
Presidente do Conselho Europeu, o português António Costa publicou em sua conta no X:
"Hoje marca um momento histórico, pois abrimos um novo capítulo nas relações entre a UE e a Índia, no que diz respeito ao comércio, à segurança e aos laços interpessoais. O nosso conselho envia uma mensagem clara: numa ordem global em transformação, a UE e a Índia mantêm-se unidas como parceiros estratégicos e de confiança."
Num outro momento, em discurso, António Costa lembrou de suas raízes indianas num momento em que o mundo amplia restrições contra imigrantes:
“Sou presidente do Conselho Europeu, mas também sou um cidadão indiano residente no exterior. Como podem imaginar, isso tem um significado muito especial. Tenho muito orgulho das minhas raízes em Goa.”
Contexto
O acordo entre 2 dos maiores mercados do mundo surge num momento em que os Estados Unidos impõem tarifas de importação elevadas tanto à Índia quanto à União Europeia, o que interrompe os fluxos comerciais estabelecidos e leva as principais economias a buscar parcerias alternativas.
Em um discurso, Ursula von der Leyen disse que o acordo com a Índia era uma história de "2 gigantes" que escolheram a parceria "de uma forma verdadeiramente vantajosa para ambos". Ela também afirmou que ele envia "uma mensagem forte de que a cooperação é a melhor resposta para os desafios globais".
Imigração: Trump muda o tom com Minnesota

Enquanto isso, Donald Trump adotou um tom mais brando nesta segunda-feira (26.jan) em relação à repressão à imigração em Minnesota, onde um manifestante foi executado por agentes federais no último sábado (24.jan). Foi a 2ª morte de um cidadão norte-americano por esta causa em cerca de 15 dias.

Trump destacou conversas produtivas pelo telefone com o governador de Minnesota, Tim Walz, e com o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. Ambos são do Partido Democrata, adversário político do Partido Republicano de Trump.
O prefeito de Minneapolis afirmou que pediu a Trump, na ligação, que encerrasse o aumento de ações de fiscalização de imigração. Disse que o presidente concordou que a situação atual não pode continuar; que alguns agentes sairão em breve; e que continuará pressionando pela saída de outros envolvidos na Operação Metro Surge.
Anteriormente, Trump havia determinado a ida do comandante sênior da Patrulha de Fronteira, Gregory Bovino, para assumir o controle das operações em Minnesota. Entre os agentes que devem deixar o estado já nesta terça-feira (27) está o próprio Greg Bovino.

Trump e Lula conversam no telefone

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram na manhã desta segunda-feira (26.jan) pelo telefone por cerca de 50 minutos. Entre outros assuntos, falaram sobre o "Conselho da Paz" de Trump para supervisionar Gaza e sobre a Venezuela.
Eis os principais tópicos abordados, segundo o Itamaraty, sede das Relações Exteriores do Brasil:
- Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses.
- Lula reiterou uma proposta encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro de 2025 para fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado.
- Sobre o "Conselho da Paz" de Trump para Gaza, para o qual o Brasil foi convidado, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina.
- Lula reafirmou a importância de uma reforma abrangente da ONOU (Organização das Nações Unidas) que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
- O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar da Venezuela.
- Ficou combinada uma visita de Lula a Washington em fevereiro, após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, em data a ser fixada em breve.
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Primeira organização de notícias do Brasil criada no WhatsApp, em 2018, para combater a desinformação.




