Aumento da riqueza dos bilionários em 2025 seria suficiente para erradicar pobreza extrema 26 vezes
Patrimônio do grupo cresceu mais de 16% em 2025, velocidade 3 vezes maior do que a média dos últimos 5 anos. Quase metade da população mundial vive na pobreza.
*Por Jamey Keaten, da Associated Press, e Maurício Ferro, do Correio Sabiá
O fato principal
A riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% apenas em 2025. É o que aponta o novo relatório da Oxfam, organização de defesa dos direitos humanos de renome mundial. O documento foi lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, realizado de 19 a 23 de janeiro de 2026.
Intitulado "Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários", o relatório mostra que o patrimônio coletivo desse grupo aumentou cerca de US$ 2,5 trilhões em apenas 1 ano. O crescimento desse patrimônio foi 3 vezes mais rápido do que a média dos últimos 5 anos.
Agora, o patrimônio total do grupo de bilionários é estimado em US$ 18,3 trilhões, o maior valor já registrado. O relatório foi baseado em dados da revista Forbes sobre as pessoas mais ricas do mundo.
Governo Trump lidera 'agenda pró-bilionários'

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, liderou uma “agenda pró-bilionários”, afirmou o grupo, por meio de ações como:
- O corte de impostos para os mais ricos;
- O incentivo ao crescimento de ações relacionadas à inteligência artificial que ajudam investidores ricos a ficarem ainda mais ricos; e
- A obstrução de esforços para tributar grandes empresas.
O grupo de defesa de direitos defende:
- Mais iniciativas nacionais para reduzir a desigualdade;
- Impostos mais altos para os ultrarricos a fim de diminuir seu poder; e
- Maiores limites à sua capacidade de influenciar políticas públicas por meio de lobby.
Principais dados do relatório
De acordo com a Oxfam:
- A riqueza coletiva dos bilionários cresceu em US$ 2,5 trilhões em 2025, alcançando US$ 18,3 trilhões, o maior valor já registrado.
- Esse crescimento foi 3 vezes mais rápido do que a média dos últimos 5 anos.
- Desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%, enquanto quase metade da população mundial vive na pobreza.
- 25% das pessoas no planeta (ou seja, uma em cada 4 pessoas) não têm acesso regular a comida suficiente.
- O número de bilionários ultrapassou 3.000 pessoas pela 1ª vez.
- Bilionários têm 4.000 vezes mais probabilidade de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.
- Países altamente desiguais apresentam 7 vezes mais risco de retrocessos democráticos.
Fórum Econômico Mundial de Davos

Foi nesse contexto que líderes corporativos e governamentais, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, chegaram em massa a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, realizado de 19 a 23 de janeiro de 2026.
O encontro anual de elite promove o diálogo e o progresso econômico. Seu lema declarado é "melhorar o estado do mundo". O tema deste ano foi "Um espírito de diálogo". A realização ocorreu num momento em que os EUA impõem tarifas até mesmo contra aliados históricos e fazem ameaças bélicas contra essas nações.
O momento de realização do evento também é o mesmo em que a ordem global passa por instabilidades e os bilionários acumulam trilhões em novas riquezas; os pobres ficam para trás.
Quase 3.000 participantes dos mundos interligados dos negócios, da defesa de direitos e da política discutem temas como a crescente desigualdade entre ricos e pobres; o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho; preocupações com conflitos geoeconômicos; tarifas que abalaram relações comerciais de longa data; e a erosão da confiança entre comunidades e países.
“Será uma discussão num momento crucial... a geopolítica está mudando. Algumas pessoas acham que estamos em transição. Outras acham que já entramos numa nova era. Mas eu acho inegável que estamos vendo um cenário mais competitivo e disputado”, disse Mirek Dušek, diretor-geral do Fórum e responsável pela programação, no dia 19 de janeiro de 2026.
Cai a confiança nas instituições
À medida que a desigualdade entre ricos e pobres aumenta, a confiança nas instituições vacila.
A Edelman, empresa de relações públicas, relata em seu barômetro anual de confiança –lançado há 25 anos e que este ano entrevistou quase 34.000 pessoas em 28 países– que os temores em relação ao comércio e à recessão atingiram níveis recorde e o otimismo está caindo, especialmente em países desenvolvidos.
“As pessoas estão se afastando do diálogo e do compromisso, optando pela segurança do familiar em vez do risco percebido da mudança. “Priorizamos o nacionalismo em detrimento da conexão global e o ganho individual em detrimento do progresso conjunto. Nossa mentalidade mudou do ‘nós’ para o ‘eu’”, disse o CEO Richard Edelman.
A pesquisa revelou que cerca de 2/3 dos entrevistados disseram que sua confiança se concentrava nos CEOs das empresas para as quais trabalham, em seus concidadãos ou vizinhos.
De acordo com a mesma pesquisa, quase 70% dos entrevistados acreditavam que líderes institucionais (dos setores empresarial e governamental) enganam o público deliberadamente.
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