Aumento da riqueza dos bilionários em 2025 seria suficiente para erradicar pobreza extrema 26 vezes

Patrimônio do grupo cresceu mais de 16% em 2025, velocidade 3 vezes maior do que a média dos últimos 5 anos. Quase metade da população mundial vive na pobreza.

Aumento da riqueza dos bilionários em 2025 seria suficiente para erradicar pobreza extrema 26 vezes
Uma profissional de saúde administra uma vacina contra a cólera em Blantyre, no sul do Malawi, na quinta-feira, 22 de janeiro de 2026. A nação africana iniciou uma campanha de vacinação contra a cólera numa tentativa de conter a ameaça da doença que mata dezenas de milhares de pessoas em todo o mundo a cada ano, apesar de ser evitável quando há acesso à água potável e, em grande parte, tratável com medicamentos de reidratação, além da existência de vacinas eficazes. / Imagem: AP Photo/Thoko Chikondi
Índice

*Por Jamey Keaten, da Associated Press, e Maurício Ferro, do Correio Sabiá

O fato principal

A riqueza dos bilionários cresceu mais de 16% apenas em 2025. É o que aponta o novo relatório da Oxfam, organização de defesa dos direitos humanos de renome mundial. O documento foi lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, realizado de 19 a 23 de janeiro de 2026.

Intitulado "Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários", o relatório mostra que o patrimônio coletivo desse grupo aumentou cerca de US$ 2,5 trilhões em apenas 1 ano. O crescimento desse patrimônio foi 3 vezes mais rápido do que a média dos últimos 5 anos.

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A Oxfam afirmou que o aumento de US$ 2,5 trilhões na riqueza dos bilionários em 2025 seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes. Sua riqueza aumentou mais de 4/5 desde 2020, enquanto quase metade da população mundial vive na pobreza, segundo a organização.

Agora, o patrimônio total do grupo de bilionários é estimado em US$ 18,3 trilhões, o maior valor já registrado. O relatório foi baseado em dados da revista Forbes sobre as pessoas mais ricas do mundo.

Governo Trump lidera 'agenda pró-bilionários'

Participantes assistem a um discurso virtual proferido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, na quinta-feira, 23 de janeiro de 2025 / Imagem: AP/Markus Schreiber, arquivo

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, liderou uma “agenda pró-bilionários”, afirmou o grupo, por meio de ações como:

  • O corte de impostos para os mais ricos;
  • O incentivo ao crescimento de ações relacionadas à inteligência artificial que ajudam investidores ricos a ficarem ainda mais ricos; e
  • A obstrução de esforços para tributar grandes empresas.

O grupo de defesa de direitos defende:

  • Mais iniciativas nacionais para reduzir a desigualdade;
  • Impostos mais altos para os ultrarricos a fim de diminuir seu poder; e
  • Maiores limites à sua capacidade de influenciar políticas públicas por meio de lobby.

Principais dados do relatório

De acordo com a Oxfam:

  • A riqueza coletiva dos bilionários cresceu em US$ 2,5 trilhões em 2025, alcançando US$ 18,3 trilhões, o maior valor já registrado.
  • Esse crescimento foi 3 vezes mais rápido do que a média dos últimos 5 anos.
  • Desde 2020, a riqueza dos bilionários aumentou 81%, enquanto quase metade da população mundial vive na pobreza.
  • 25% das pessoas no planeta (ou seja, uma em cada 4 pessoas) não têm acesso regular a comida suficiente.
  • O número de bilionários ultrapassou 3.000 pessoas pela 1ª vez.
  • Bilionários têm 4.000 vezes mais probabilidade de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.
  • Países altamente desiguais apresentam 7 vezes mais risco de retrocessos democráticos.

Fórum Econômico Mundial de Davos

O logotipo do Fórum Econômico Mundial é exibido em uma janela do Centro de Congressos onde ocorre o Fórum Anual em Davos, Suíça, no domingo, 18 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Markus Schreiber

Foi nesse contexto que líderes corporativos e governamentais, incluindo o presidente dos EUA, Donald Trump, chegaram em massa a Davos, na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial de Davos, realizado de 19 a 23 de janeiro de 2026.

O encontro anual de elite promove o diálogo e o progresso econômico. Seu lema declarado é "melhorar o estado do mundo". O tema deste ano foi "Um espírito de diálogo". A realização ocorreu num momento em que os EUA impõem tarifas até mesmo contra aliados históricos e fazem ameaças bélicas contra essas nações.

O momento de realização do evento também é o mesmo em que a ordem global passa por instabilidades e os bilionários acumulam trilhões em novas riquezas; os pobres ficam para trás.

Quase 3.000 participantes dos mundos interligados dos negócios, da defesa de direitos e da política discutem temas como a crescente desigualdade entre ricos e pobres; o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho; preocupações com conflitos geoeconômicos; tarifas que abalaram relações comerciais de longa data; e a erosão da confiança entre comunidades e países.

“Será uma discussão num momento crucial... a geopolítica está mudando. Algumas pessoas acham que estamos em transição. Outras acham que já entramos numa nova era. Mas eu acho inegável que estamos vendo um cenário mais competitivo e disputado”, disse Mirek Dušek, diretor-geral do Fórum e responsável pela programação, no dia 19 de janeiro de 2026.

Cai a confiança nas instituições

À medida que a desigualdade entre ricos e pobres aumenta, a confiança nas instituições vacila.

A Edelman, empresa de relações públicas, relata em seu barômetro anual de confiança –lançado há 25 anos e que este ano entrevistou quase 34.000 pessoas em 28 países– que os temores em relação ao comércio e à recessão atingiram níveis recorde e o otimismo está caindo, especialmente em países desenvolvidos.

“As pessoas estão se afastando do diálogo e do compromisso, optando pela segurança do familiar em vez do risco percebido da mudança. “Priorizamos o nacionalismo em detrimento da conexão global e o ganho individual em detrimento do progresso conjunto. Nossa mentalidade mudou do ‘nós’ para o ‘eu’”, disse o CEO Richard Edelman.

A pesquisa revelou que cerca de 2/3 dos entrevistados disseram que sua confiança se concentrava nos CEOs das empresas para as quais trabalham, em seus concidadãos ou vizinhos.

De acordo com a mesma pesquisa, quase 70% dos entrevistados acreditavam que líderes institucionais (dos setores empresarial e governamental) enganam o público deliberadamente.

O que mais estamos lendo

Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários
O estudo demonstra que a desigualdade econômica não é inevitável: ela resulta de escolhas políticas. O relatório também apresenta propostas concretas para reduzir o poder excessivo dos super-ricos, fortalecer a democracia e garantir direitos para a maioria da população.
Relatório da Oxfam alerta para concentração recorde de riqueza e avanço do poder político dos bilionários - GIFE
O documento chama atenção para o contraste entre esse crescimento acelerado e a estagnação na redução da pobreza global.

Autores

Correio Sabiá
Correio Sabiá

Primeira organização de notícias do Brasil criada no WhatsApp, em 2018, para combater a desinformação.

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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