Ataques israelenses matam 3 pessoas em Gaza, diz hospital
Apesar do acordo de cessar-fogo vigente, tropas de Israel matam palestinos diariamente
*Por Wafaa Shurafa, Samy Magdy e Sam Metz
O fato principal
Ataques militares israelenses mataram mais 3 pessoas nesta segunda-feira (9.fev.2026), segundo o Hospital Shifa, onde as vítimas foram atendidas. Desta vez, a oeste da Cidade de Gaza. As mortes ocorrem em meio à vigência de um acordo de cessar-fogo.
O exército israelense afirmou na mesma segunda-feira que está atacando alvos "de maneira precisa" em resposta a disparos contra tropas israelenses na cidade de Rafah, no sul.
Apoiado pelos EUA, o cessar-fogo está em vigor há 4 meses. O Hamas libertou todos os reféns (vivos e mortos) que ainda mantinha consigo, em troca de milhares de prisioneiros palestinos detidos por Israel e dos restos mortais de outros.
Alto funcionário da ONU mostra preocupação com decisão de Israel sobre a Cisjordânia
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, está “gravemente preocupado” com a decisão do gabinete de segurança israelense de aprofundar o controle do país sobre a Cisjordânia ocupada.
Guterres alertou que a decisão israelense pode corroer a perspectiva de uma solução de 2 Estados, conforme afirmou na segunda-feira (9) o porta-voz Stéphane Dujarric, em um comunicado.
“Tais ações, incluindo a presença contínua de Israel no Território Palestino Ocupado, não são apenas desestabilizadoras, mas –como lembrou a Corte Internacional de Justiça– ilegais”, disse ele.
O gabinete de segurança de Israel aprovou, no domingo (8), medidas que aprofundam o controle israelense sobre a Cisjordânia ocupada e enfraquecem os poderes já limitados da Autoridade Palestina.
O ministro das Finanças de Israel, de extrema-direita, Bezalel Smotrich, disse que as medidas facilitariam a expulsão de terras por colonos judeus dos palestinos.
“Continuaremos a enterrar a ideia de um Estado palestino”, acrescentou ele.
Israel capturou a Cisjordânia, bem como Gaza e Jerusalém Oriental, na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os palestinos reivindicam os 3 territórios para um futuro Estado.
Passagem de Rafah está melhorando, diz chefe palestino
Ali Shaath, chefe do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (palestino encarregado de supervisionar as operações diárias no território), afirmou na segunda-feira (9) à agência de notícias egípcia Al-Qahera que as operações na passagem pela fronteira de Rafah com o Egito estavam começando a melhorar, após uma 1ª semana caótica de reabertura, marcada por confusão, atrasos e um número limitado de travessias. Houve fechamento da passagem na sexta-feira (6) e no sábado (7) devido à confusão das operações.
Shaath afirmou que 88 palestinos estavam programados para atravessar Rafah na segunda-feira (9), número superior ao dos primeiros dias de reabertura.
A missão de fronteira da União Europeia instalada no local afirmou num comunicado no domingo (8) que 284 palestinos atravessaram a passagem desde a reabertura.
Entre os viajantes estavam pessoas que retornavam a Gaza após fugirem da guerra e evacuados médicos com seus acompanhantes. No total, 53 evacuados médicos partiram durante os primeiros 5 dias de operação.
Shaath e outros membros do comitê permanecem no Egito, sem autorização israelense para entrar em Gaza, completamente devastada pelos bombardeios de Israel.
Histórico
A passagem de Rafah foi reaberta na semana passada pela 1ª vez desde meados de 2024. Era uma das principais exigências para o cessar-fogo entre Israel e o Hamas, já que é a única passagem para fora de Gaza sem fronteira com Israel.

Autoridades palestinas afirmam que quase 20.000 pessoas estão tentando deixar Gaza em busca de atendimento médico indisponível em seu sistema de saúde, já que quase todos os hospitais foram destruídos por Israel.
Palestinos que retornaram a Gaza nos primeiros dias após a reabertura da passagem descreveram longas esperas e buscas invasivas por parte das autoridades israelenses e do grupo armado palestino Abu Shabab, apoiado por Israel. Israel negou maus-tratos.
O Ministério da Saúde de Gaza informou na segunda-feira (9) que 5 pessoas foram mortas nas últimas 24 horas, elevando o número de mortos para 581 desde o cessar-fogo de outubro.
Militantes liderados pelo Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas israelenses –a maioria civis– no ataque de outubro de 2023.
Desde então, a ofensiva militar de Israel já matou mais de 72.000 palestinos, segundo o Ministério da Saúde.
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Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.
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