Ataques israelenses em Gaza matam mais 30 palestinos num só dia, incluindo crianças

Bombardeios de Israel já mataram mais de 550 palestinos apenas desde o início do "cessar-fogo", em outubro de 2025

Ataques israelenses em Gaza matam mais 30 palestinos num só dia, incluindo crianças
Um palestino carrega o corpo de Sham Abu Hadaiyd, morto em um ataque israelense a uma tenda em Khan Younis, Faixa de Gaza, no sábado, 31 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Abdel Kareem Hana
Índice

*Por Wafaa Shurafa, Samy Magdy e Sam Metz

O fato principal

Ataques israelenses mataram ao menos 30 palestinos neste sábado (31.jan.2026). É um dos maiores números de vítimas em apenas 1 dia desde que o "cessar-fogo", entre aspas, foi firmado em 10 de outubro de 2025.

Os ataques atingiram vários locais em Gaza, incluindo um prédio de apartamentos na Cidade de Gaza e um acampamento de tendas em Khan Younis, de acordo com funcionários de hospitais que receberam os corpos. Entre as vítimas estavam duas mulheres e 6 crianças de duas famílias diferentes.

Um outro ataque aéreo atingiu uma delegacia de polícia na Cidade de Gaza, matando pelo menos 14 pessoas e ferindo outras, segundo o diretor do Hospital Shifa, Mohamed Abu Selmiya.

Detalhes dos ataques de Israel

Palestinos buscam corpos e sobreviventes nos escombros de uma delegacia de polícia após um ataque do exército israelense na Cidade de Gaza, no sábado, 31 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Jehad Alshrafi

O Hospital Nasser informou que o ataque ao acampamento de tendas provocou um incêndio, matando 7 pessoas, incluindo 1 pai, seus 3 filhos e 3 netos.

O Hospital Shifa relatou que o ataque ao prédio residencial na Cidade de Gaza matou 3 crianças, sua tia e avó na manhã de sábado. O ataque à delegacia de polícia matou ao menos 14 pessoas –incluindo policiais, sendo 4 policiais femininas, civis e detentos que estavam na delegacia.

O mesmo hospital também informou que 1 homem foi morto em um ataque no sábado na parte leste do campo de refugiados de Jabaliya.

Até sexta-feira (30), o Ministério da Saúde de Gaza havia registrado 520 palestinos mortos por disparos israelenses desde o início do cessar-fogo em 10 de outubro.

O número de mortos relatado no sábado foi várias vezes maior que a média diária desde o início do cessar-fogo.

Até estes episódios, a imprensa internacional reportava que um ataque recente de Israel, realizado em 21 de janeiro de 2026, tinha sido um dos mais sangrentos para um único dia. Nesta ocasião, houve 16 mortes –metade dos assassinatos deste sábado (31).

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Contexto

Palestinos procuram corpos e sobreviventes nos escombros de uma delegacia de polícia após um ataque do exército israelense na Cidade de Gaza, no sábado, 31 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Jehad Alshrafi

A série de ataques ocorreu 1 dia antes da reabertura da passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, na cidade mais ao sul de Gaza, prevista para este domingo (1.fev).

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Todas as passagens de fronteira de Gaza permaneceram fechadas durante quase toda a guerra, e os palestinos veem Rafah como uma tábua de salvação para as dezenas de milhares de pessoas que precisam de tratamento médico fora do território, já que quase toda a infraestrutura hospitalar de Gaza foi destruída por Israel.

A reabertura também é essencial para que palestinos possam deixar Gaza, devastada pelos bombardeios, se assim desejarem. Ou para que os palestinos que fugiram da guerra possam retornar.

A abertura da passagem será limitada por Israel, mas integra um conjunto de medidas a serem implementadas na 2ª fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA.

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A 1ª fase, entre outras iniciativas, previa a libertação de reféns (vivos e mortos) para ambas as partes. Os restos mortais do último refém israelense foram recuperados na última segunda-feira (26).

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Mahmoud Al-Atbash lamenta sobre os corpos de suas duas filhas, Zeina e Maryam, mortas em um ataque militar israelense, no Hospital Shifa, na Cidade de Gaza, no sábado, 31 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Jehad Alshrafi

O Hamas classificou os ataques de sábado como “uma nova violação flagrante” e instou os Estados Unidos e outros países mediadores a pressionarem Israel para que cesse os ataques.

“Todos os indicadores disponíveis sugerem que estamos lidando com um ‘Conselho de Guerra’, não com um ‘Conselho de Paz’”, disse Bassem Naim, um alto funcionário do Hamas, em uma publicação no X, questionando a legitimidade do órgão internacional proposto para governar Gaza em meio ao crescente número de vítimas.

O exército israelense, que atacou alvos em ambos os lados da linha divisória do cessar-fogo, afirmou que seus ataques desde outubro foram respostas a violações do acordo.

Em um comunicado, Israel declarou que os ataques de sábado ocorreram após o que descreveu como violações do cessar-fogo no dia anterior, quando o exército matou ao menos 4 supostos militantes do Hamas que saíam de um túnel em uma área de Rafah controlada por Israel.

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*Magdy reportou do Cairo e Metz de Jerusalém.

Autor

Associated Press
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