Ataque de drone de Israel mata 3 em Gaza enquanto o Hamas se prepara para transferir o governo a novo comitê

Exército de Israel responsabilizou as vítimas. Disse que os 3 cruzaram a linha de cessar-fogo e estariam armados.

Ataque de drone de Israel mata 3 em Gaza enquanto o Hamas se prepara para transferir o governo a novo comitê
Profissionais de saúde participam de um protesto organizado pelo Comitê de Prisioneiros Palestinos, que pede a libertação de prisioneiros detidos em prisões israelenses, em frente à sede da Cruz Vermelha na Cidade de Gaza, na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 / Imagem: AP/Jehad Alshrafi

*Por Wafaa Shurafa e Samy Magdy / Associated Press

Um ataque de drone israelense realizado nesta segunda-feira (12.jan.2026) matou 3 palestinos que haviam cruzado a linha de cessar-fogo perto do corredor de Morag, no centro de Gaza, segundo autoridades hospitalares.

O Exército de Israel afirmou que os 3 se aproximaram das tropas e, por isso, representavam uma ameaça. Disseram ter encontrado depois armas com eles. Não houve detalhamento sobre quais armas eram.

O ataque ocorreu enquanto Gaza aguarda, ainda nesta semana, o esperado anúncio dos integrantes de um “Conselho de Paz” para supervisionar sua governança.

O Hamas declarou que dissolverá seu governo atual assim que o novo comitê assumir o território, como previsto no plano de paz mediado pelos Estados Unidos.

Os 20 tópicos do plano de Trump para a ‘paz’ em Gaza
Proposta coloca Trump como líder de um “Conselho da Paz” que supervisionará cumprimento de uma série de regras definidas no plano. Ex-premiê britânico Tony Blair seria uma espécie de “diretor-executivo” de Gaza.

Controlado pelo Hamas, o Ministério da Saúde de Gaza relata que mais de 440 pessoas foram mortas desde que Israel e Hamas concordaram, em outubro de 2025, em suspender a guerra de 2 anos.

Desde então, cada lado acusa o outro de violar o cessar-fogo, que segue em sua fase inicial enquanto prosseguem os esforços para recuperar os restos mortais do último refém israelense em Gaza.

Atualmente, o exército israelense controla aquilo que chama de "zona de segurança", que cobre mais da metade de Gaza. O governo do Hamas mantém autoridade sobre o restante.

Ao longo da guerra, Israel tem apoiado grupos anti-Hamas, incluindo um grupo armado no sul da Faixa que reivindicou, nesta segunda-feira (12), a autoria da morte de um alto oficial da polícia do Hamas em Khan Younis.

O tenente-coronel Mahmoud al-Astal foi morto a tiros na área de Muwasi, informou o Ministério do Interior administrado pelo Hamas em comunicado.

Em publicação no Telegram no domingo (11), o porta-voz do Hamas Hazem Kassem pediu a aceleração da criação do comitê tecnocrático palestino que irá governar Gaza.

Nem o Hamas nem a rival Autoridade Palestina anunciaram os nomes de quem integrará o comitê, que precisam ser aprovados por Israel e pelos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também deve anunciar suas indicações para o “Conselho de Paz” nos próximos dias. A expectativa é de que o anúncio ocorra nesta semana.

Pelo plano de Trump, o Conselho supervisionaria o novo governo palestino, o desarmamento do Hamas, o envio de uma força internacional de segurança, as retiradas adicionais de tropas israelenses e a reconstrução de Gaza. Os EUA relataram pouco progresso até agora nessas frentes.

Segundo autoridades turcas, o chanceler Hakan Fidan participou nesta segunda-feira (12) de uma videoconferência com os EUA e outros países para discutir “os preparativos para a 2ª fase” do acordo de cessar-fogo.

As conversas, que foram uma continuação de uma reunião realizada em Miami no fim de dezembro, também incluíram representantes do Egito e do Catar.

Dezenas de palestinos, incluindo profissionais de saúde, fizeram um protesto em Gaza nesta segunda-feira (12) para exigir a libertação de milhares de palestinos ainda detidos em prisões israelenses.

Organizada pelo Comitê de Prisioneiros Palestinos, a manifestação ocorreu em frente ao prédio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Cidade de Gaza.

Enquanto isso, grupos de defesa de prisioneiros palestinos afirmaram que as autoridades israelenses confirmaram a morte de 1 detento de Gaza.

Em comunicado no domingo (11), a Comissão de Assuntos de Prisioneiros e a Sociedade de Prisioneiros Palestinos disseram que Hamza Abdullah Abdelhadi Adwan morreu na prisão em 9 de setembro, com base em informações recebidas pela família junto ao exército israelense.

Autoridades militares israelenses informaram nesta segunda-feira (12) que a polícia militar investigará o caso e enviará suas conclusões ao procurador militar para análise.

Adwan, de 67 anos, pai de 9 filhos e com graves problemas de saúde, havia sido detido em 12 de novembro de 2024 em um posto de controle. Dois de seus filhos foram mortos na guerra em Gaza.

Desde o início da guerra, 87 detentos palestinos morreram em prisões israelenses –incluindo 51 oriundos de Gaza– segundo a Comissão de Assuntos de Prisioneiros Palestinos.

As entidades afirmam que mais de 100 detentos –alguns ainda não identificados– morreram em decorrência de tortura, fome, negligência médica e abusos.


*Magdy reportou do Cairo. Os repórteres da Associated Press Sam Metz e Audrey Horowitz, em Jerusalém, Suzan Fraser, em Ancara, e Maryclaire Dale, na Filadélfia, contribuíram para esta reportagem.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

Participe para se juntar à discussão.

Por favor, crie uma conta gratuita para se tornar membro e participar da discussão.

Já tem uma conta? Entrar

Inscreva-se nas newsletters do Correio Sabiá.

Mantenha-se atualizado com nossa coleção selecionada das principais matérias.

Por favor, verifique sua caixa de entrada e confirme. Algo deu errado. Tente novamente.