Amostras revelam influência marinha em áreas pouco estudadas da Foz do Amazonas

Sedimentos coletados no Gurupi, Piriá e em Tucundeua começam a preencher uma lacuna no conhecimento sobre a transição entre os rios e o oceano

Amostras revelam influência marinha em áreas pouco estudadas da Foz do Amazonas
Canoagem ajuda pesquisadores a alcançar trecho pouco estudado da costa amazônica / Imagem: Divulgação
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*Com apoio de Ana Teresa Brasil, jornalista da Rede Foz do Amazonas

O fato principal

Pesquisadores conseguiram coletar sedimentos em 3 pontos pouco estudados da costa amazônica e encontraram, em resultados preliminares, forte influência marinha em áreas de transição entre rios, estuários e oceano.

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Estuários são ambientes costeiros de transição onde a água doce de um rio se encontra e se mistura com a água salgada do oceano. Um ambiente estuarino tem um gradiente contínuo de salinidade que varia da água totalmente doce (vinda do rio) até a água salgada (do oceano). Sofre forte influência das marés.

A coleta foi realizada no Gurupi, no Piriá e em Tucundeua. A viabilização ocorreu por uma parceria incomum com uma equipe de canoagem, capaz de alcançar áreas rasas demais para navios científicos e expostas demais para voadeiras.

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Voadeiras são barcos de pequeno porte, leves e velozes, geralmente feitos de alumínio e movidos a motor de popa, usados principalmente para navegação fluvial em águas interiores.

O que os resultados mostram:

  • No Gurupi, uma área de transição pouco amostrada apresentou 97,8% de areia.
  • Como o interior do estuário tem sedimentos mais lamosos e a plataforma continental é arenosa, o dado sugere que a influência marinha alcança essa zona de transição.
  • Piriá e Tucundeua também apresentaram forte presença de areia.
  • Em Tucundeua, foi encontrada cerca de 11% de lama, proporção que pode influenciar significativamente a turbidez da água.
  • Ainda estão sendo analisados matéria orgânica, carbono e origem dos sedimentos.

Por que isso importa?

Porque estas primeiras amostras de uma faixa pouco estudada começaram a revelar onde e com que intensidade a dinâmica marinha se sobrepõe à influência dos estuários.

Expedição na costa amazônica

A Expedição Gurupi deriva de um trabalho articulado em rede. Nela, o grupo formado por pesquisadores, cientistas e velejadores, teve como objetivo coletar amostras sobre a composição do solo (sedimentos), água e microrganismos ao longo da costa, em um percurso de cerca de 112 km.

Comandada pelo oceanógrafo Nils Asp, professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Bragança e coordenador do Laboratório de Oceanografia e Clima, a equipe saiu de Viseu (PA) no dia 24 de maio de 2025, às 4h da manhã, e aportou no Porto do Campo, no município de Augusto Corrêa (PA), por volta das 18h do dia 25.

Momento da saída da expedição, de madrugada / Imagem: Divulgação

Segundo Asp, o projeto se destaca por promover a navegação sustentável sem perturbar o ecossistema aquático da região, além de fortalecer a integração entre os participantes e o meio ambiente.

“Coletamos amostras dos principais sedimentos e também de água do rio, a fim de buscar compreender quais são as contribuições do rio Amazonas para a nossa zona costeira. É importante dizer que todo esse trabalho de coleta resulta do treinamento que fizemos antes com os participantes”, declarou por meio de nota recebida pelo Ocean.

A expedição foi considerada um sucesso por seus integrantes, porque foram coletadas amostras em todos os pontos mais importantes previstos no cronograma.

“Coletamos amostras em trechos da costa de difícil acesso para embarcações convencionais, por se tratarem de áreas extremamente rasas e com forte agitação das ondas”, disse o biólogo Davidson Sodré.


A Expedição Gurupi foi realizada com o financiamento do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

A divulgação da ciência é um dos eixos do projeto, que reconhece a Comunicação Pública da Ciência como uma estratégia fundamental para aproximar a produção científica da sociedade, ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer o diálogo entre pesquisadores e diferentes públicos.

Neste sentido, o minidocumentário conta com a parceria do Movimento Ciência e Vozes da Amazônia (UFPA), da SNCT Pará e do CIECz (Ciência e Comunicação na Amazônia).

Assista no canal da Rede Foz do Amazonas no YouTube:

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Correio Sabiá
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