5 riscos para o mundo da ocupação russa em Chernobyl

Chernobyl / Foto: Vladyslav Cherkasenko/Unsplash
Russos tomaram o controle de Chernobyl / Imagem: Vladyslav Cherkasenko/Unsplash

Por Gerardo Portela (*mais informações ao final do texto)

Em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, os russos tomaram o controle da Usina Nuclear de Chernobyl, onde houve o maior acidente nuclear da História. Autoridades ucranianas disseram que houve aumento da radioatividade no local, por conta do manuseio de equipamentos militares, que provocaria agitação de partículas no interior da usina.

As autoridades russas negam essa informação. No entanto, a tomada de controle da usina de Chernobyl pelos russos num momento de guerra causa preocupação a outros países, principalmente os vizinhos. Isso porque um novo acidente pode resultar em consequências graves para a região.

Para explicar o assunto, o engenheiro operador nuclear Gerardo Portela, PhD em Riscos e Segurança, enviou ao Correio Sabiá 5 pontos com os quais é preciso tomar cuidado na usina. Saiba mais sobre Gerardo Portela ao final deste texto.

O engenheiro operador nuclear Gerardo Portela / Foto: Divulgação
O engenheiro operador nuclear Gerardo Portela / Imagem: Divulgação

5 riscos da ocupação russa em Chernobyl

1. Em caso de desfecho negativo para a Rússia, a usina avariada poderia ter seu “Sarcófago” (Contenção de Confinamento Seguro) destruído com a intenção de promover “terra arrasada” através da liberação de pluma radioativa com risco de espalhamento na Europa e detecção até em outros continentes.

2. Os elementos combustíveis queimados e resíduos radioativos de Chernobyl (são mais de 200 toneladas) poderiam ser utilizados para a fabricação de armas nucleares. Todo elemento combustível nuclear queimado proveniente de usinas nucleares pode ser aproveitado a menor custo para fabricação de armas nucleares, uma vez que a matéria-prima não está disponível facilmente na natureza, requerendo processos caros de enriquecimento isotópico.

3. O controle de Chernobyl pelos russos pode ser usado como uma ameaça de liberação de radioatividade para toda a Europa enquanto a guerra durar.

4. A investigação do acidente nuclear de Chernobyl indicou que a Cultura de Segurança da antiga União Soviética foi um dos fatores de maior influência para que o acidente acontecesse, pois os objetivos operacionais da Usina de Chernobyl se misturavam com objetivos militares, inclusive de uso do combustível nuclear queimado para fabricação de ogivas nucleares. Então, com a tomada da Usina pelos russos, elementos dessa péssima Cultura podem renascer, com riscos de redução dos cuidados de contenção das mais de 200 toneladas de resíduos radioativos.

5. Observo, como engenheiro operador nuclear, que usinas nucleares podem ser consideradas fontes de energia de baixo carbono quando comparadas com carvão e geração térmica. Porém, se são relativamente “limpas” de carbono, produzem o pior de todos os poluentes conhecidos na face da terra: lixo nuclear composto por produtos radioativos com “meia vida” de até 45.000 anos de radioatividade.

*Gerardo Portela é Ph.D. em Riscos e Segurança, engenheiro operador nuclear, ex-funcionário de Eletronuclear/Furnas e operador licenciável de reator nuclear de pesquisa e de potência pelo IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), da USP (Universidade de São Paulo).

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Redação do Sabiá
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